Por uma universidade com liberdade de pensamento e expressão!

por culturamarxista

Por Pardal

Nesta semana, ao reiniciarmos as atividades do Grupo de Estudos de Cultura e Marxismo a partir da convocação de uma reunião para discutir Antonio Candido, nós fomos surpreendidos por mais uma pequena ação que demonstra o que é a nossa universidade, qual seu caráter e seu objetivo.

Alguns militantes da Juventude às Ruas que constroem o Grupo de Estudos fizeram este Kraft para divulgar a reunião e, como de costume, o penduraram entre o prédio da Letras e da Ciências Sociais/Filosofia:

cartaz Direito à literatura

Qual não foi nossa surpresa ao ver que, no dia seguinte, ele havia sido arrancado, junto com todos os demais cartazes ali pendurados, pela segurança do prédio. Ao questioná-los, informaram-nos que “não seria mais permitido pendurar cartazes ali.” Em outro dia, desmentiram a si mesmos, dizendo que não sabiam por ordem de quem o cartaz havia sido removido.

A verdade é que pouco importa de quem veio a ordem, porque a atitude de censurar a livre expressão e o luivre pensamento é uma marca registrada da Universidade de São Paulo, que tornou-se nacionalmente conhecida pelas intervenções da Polícia Militar em seu campus contra as mobilizações de estudantes e trabalhadores em 2007, 2009 e 2011. Demite dirigentes sindicais, expulsa estudantes, pune com base no regimento disciplinar de 1972 vigente em seu estatuto, o qual expressamente prevê punições com base em “manifestações de caráter racial, religioso ou político-partidário”. O mesmo estatuto prevê a punição com base a “afixar cartazes sem autorização”, fazendo com que nossa atitude de divulgar uma reunião de um grupo de estudos seja “legalmente” passível de punição, de acordo com a reitoria e o Conselho Universitário. Em nossa faculdade, temos um diretor, Sergio Adorno, que como diretor do Núcleo de Estudos da Violência (NEV), defende o uso da polícia militar para a repressão. Tudo isto apenas reforça o caráter racista e elitista de uma universidade que nasceu e se orgulha de até hoje estar de costas para as necessidades mais elementares dos que a sustentam com o suor de seu trabalho. Que se orgulha de produzir grandes quadros para empresas multinacionais enquanto o livre-pensamento míngua orçamentos ridículos e censura escancarada em seu interior. Que utiliza sem pudor o trabalho semi-escravo de milhares de mulheres negras que recebem salários de miséria para limpar corredores e salas de aula nas quais não podem estudar porque seu acesso é impedido pelo filtro social do vestibular.

É contra esta universidade que colocamos de pé o Grupo de Estudos de Cultura e Marxismo. Queremos uma universidade onde se possa pensar e agir, onde o pensamento seja livre e os cartazes possam ser pregados em qualquer parte, divulgando ideias a serviço da emancipação humana, e não a serviço da repressão, do elitismo, do conservadorismo e de uma sociedade onde a miséria é a única perspectiva para a grande maioria. Por isto, manteremos de pé nosso grupo de estudos mesmo que arranquem todos os nossos cartazes. Nossas ideias não cabem nos currículos desta universidade. E por isto lutaremos incansavelmente por uma universidade que possa abarcar estas ideias e muitas outras que aqui não tem vez e nem voz.

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